Dores e Sintomas

Dor e Inchaço no Tornozelo na Parte Interna: Como Aliviar

Entenda o que pode ser dor e inchaço no tornozelo na parte interna e como tratar.

Sentir dor e inchaço no tornozelo na parte interna não significa, automaticamente, que foi só uma torção.

Essa região concentra ligamentos, tendões e articulações que trabalham bastante a cada passo, então a causa pode ser simples, mas também pode pedir avaliação mais rápida.

Quando esse desconforto aparece depois de exercício, mudança de rotina, tropeço ou muito tempo em pé, as causas mecânicas são as mais prováveis.

Já quando o inchaço surge sem trauma claro, piora rápido, fica quente ou vem com dificuldade para apoiar o pé, vale investigar com mais cuidado.

O que pode causar dor e inchaço no tornozelo na parte interna

Na prática clínica, a localização ajuda bastante.

Quando a dor fica na parte interna do tornozelo, o ortopedista especialista em pé e tornozelo com expertise em tratamentos avançados pensa primeiro em lesão ligamentar, sobrecarga do tendão tibial posterior, fratura, inflamação articular ou problema circulatório.

Entorse e lesão ligamentar

A entorse é uma das causas mais comuns de dor no tornozelo.

Embora muitas pessoas associem a torção à parte de fora do pé, a região interna também pode sofrer, principalmente quando o movimento foi mais forte ou o tornozelo já vinha instável.

Nesses casos, a dor aparece logo após o trauma, com inchaço, dificuldade para apoiar o pé e, às vezes, roxo.

Se houve estalo, perda de força ou você mal consegue dar alguns passos, a avaliação deve ser mais precoce.

Tendão tibial posterior inflamado

Essa é uma causa muito importante e muitas vezes passa despercebida.

O tendão tibial posterior passa atrás do osso da parte interna do tornozelo e ajuda a sustentar o arco do pé, além de dar estabilidade ao caminhar.

Quando ele inflama ou perde força, a dor pode piorar ao andar, subir escadas, correr ou ficar muito tempo em pé.

Algumas pessoas percebem também inchaço local, sensação de peso no passo e o pé mais “caído” para dentro com o passar do tempo.

Fratura ou lesão por estresse

Nem toda fratura acontece com deformidade evidente.

Pequenas fissuras por impacto repetido, comuns em quem corre, pula ou aumentou a carga de treino rápido demais, podem causar dor progressiva e inchaço na região.

A pista costuma ser esta: dói mais ao apoiar, melhora um pouco no repouso e volta quando a atividade recomeça.

Se a dor está bem localizada no osso, incomoda até para caminhar no dia a dia ou não melhora em poucos dias, o raio X ou a ressonância podem ser necessários.

Artrite, gota e outras causas inflamatórias

Algumas doenças articulares também entram na lista. Gota, artrites inflamatórias e desgaste articular podem provocar dor, rigidez, calor e inchaço, mesmo sem trauma recente.

Aqui, o contexto pesa muito. Crises repetidas, rigidez ao acordar, outras articulações doloridas, histórico de ácido úrico alto ou episódios anteriores apontam para uma investigação além da ortopedia esportiva.

Problemas circulatórios e outras causas clínicas

Quando o tornozelo incha sem uma lesão clara, é preciso pensar em circulação e retenção de líquido.

Insuficiência venosa, longos períodos sentado ou em pé, alguns remédios e doenças do coração, fígado ou rins podem aumentar o volume dos tornozelos.

Se o inchaço aparece mais no fim do dia, melhora ao elevar as pernas e pode atingir os dois lados, a causa circulatória ou clínica ganha força.

Mas, se o quadro é mais de um lado só, com dor, calor e vermelhidão, a possibilidade de trombose precisa ser lembrada.

Quais sinais pedem atendimento mais rápido

Nem toda dor e inchaço no tornozelo na parte interna é urgência, contudo, alguns sinais mudam bastante a prioridade. Eles sugerem fratura, infecção, lesão importante ou até problema vascular.

  • Dor forte e aumento rápido do inchaço após trauma;
  • Incapacidade de apoiar o pé ou dar alguns passos;
  • Deformidade visível ou sensação de que “saiu do lugar”;
  • Vermelhidão intensa, calor local, febre ou ferida na pele;
  • Inchaço de um lado só com dor na panturrilha ou veias mais aparentes.

Se, além do inchaço, houver falta de ar, dor no peito, tontura ou mal-estar importante, procure atendimento imediatamente. Nessa combinação, o problema pode não estar apenas no tornozelo.

Como o médico descobre a causa

O exame começa com perguntas simples, mas muito úteis.

O médico vai querer saber quando a dor começou, se houve torção, onde dói exatamente, se piora ao apoiar e se existem doenças prévias ou uso de remédios que favoreçam edema.

No exame físico, ele compara os dois lados, aperta pontos específicos, observa o arco do pé, testa o movimento e avalia se você consegue ficar na ponta do pé ou sustentar o peso.

Esse detalhe ajuda bastante quando há suspeita de lesão do tendão tibial posterior.

Dependendo do caso, os exames mais usados são:

  • Raio X, para suspeita de fratura ou alteração óssea;
  • Ultrassom, para avaliar partes moles em situações selecionadas;
  • Ressonância, quando a dúvida envolve tendão, ligamento ou fratura por estresse;
  • Doppler vascular, se o inchaço levantar suspeita de problema venoso.

O que fazer nas primeiras 48 horas

Nos quadros mais simples, especialmente após torção ou sobrecarga, as primeiras medidas ajudam a aliviar bem. O objetivo é reduzir a dor, controlar o inchaço e evitar que a lesão piore.

  • Diminua a carga e evite treino, corrida e saltos;
  • Faça gelo por 15 a 20 minutos, protegendo a pele;
  • Use compressão leve, se isso trouxer conforto;
  • Mantenha a perna elevada quando estiver sentado ou deitado;
  • Escolha calçado firme, em vez de chinelo ou sapato instável.

Essa fase não é para “testar no limite”. Se cada tentativa de andar aumenta a dor, o tornozelo perde estabilidade ou o inchaço sobe rápido, vale sair do autocuidado e partir para avaliação presencial.

Tratamento conforme a causa

O tratamento bom é o que combina com a origem do problema.

Entorse ou sobrecarga

Nos casos leves, repouso relativo, compressão, gelo e progressão gradual da carga já resolve.

Se a dor reduz, o passo seguinte é recuperar a mobilidade do tornozelo, força e equilíbrio para evitar novas lesões.

Em quadros moderados ou graves, pode ser preciso usar tornozeleira, bota imobilizadora, muletas por curto período e fisioterapia.

O retorno ao esporte ou à academia deve ser guiado pela função, não só pela vontade de voltar logo.

Tendão tibial posterior

Aqui, descansar um pouco ajuda, mas parar totalmente por muito tempo pode piorar a perda de força.

Em geral, o plano inclui ajuste de carga, calçado mais estável, suporte para o arco do pé e exercícios progressivos para panturrilha, pé e controle do tornozelo.

Esse tipo de dor responde mal ao improviso.

Seguir caminhando descalço em casa, insistir em treino com dor e ignorar o achatamento do arco faz o problema se agravar e, em alguns casos, levar a deformidade progressiva.

Quando há fratura, artrite ou suspeita vascular

Fratura pode exigir imobilização e, dependendo do traço, cirurgia. Artrites e gota pedem tratamento direcionado, porque o controle da inflamação depende da causa de base, não apenas do sintoma.

Se houver suspeita de trombose ou outra alteração vascular, o foco muda completamente.

Nessas situações, não é um caso para “observar mais uns dias”, e sim para confirmar o diagnóstico e iniciar tratamento certo o quanto antes.

Como evitar novas crises

Nem sempre é possível prevenir tudo, mas dá para reduzir bastante o risco de recorrência.

O tornozelo costuma reclamar quando recebe carga demais, rápido demais, ou quando já perdeu força e estabilidade depois de uma lesão antiga mal reabilitada.

  1. Aumente treino e impacto de forma gradual.
  2. Use calçado firme e compatível com sua rotina.
  3. Fortaleça panturrilha, pé e equilíbrio do tornozelo.
  4. Evite passar horas sem se mexer.
  5. Controle peso e trate doenças que favorecem inchaço.

Se o incômodo volta sempre no mesmo ponto, não trate como detalhe. Dor recorrente na parte interna do tornozelo quase sempre indica que alguma estrutura ainda não recuperou bem.

Perguntas frequentes

Dor na parte interna do tornozelo sempre é entorse?

Não. Entorse é uma causa frequente, mas a dor no lado de dentro do tornozelo também pode vir do tendão tibial posterior, de fratura por estresse, artrite, gota e até alterações circulatórias. A localização ajuda muito no raciocínio, por isso, esse detalhe importa. Se não houve trauma claro ou se o quadro está piorando, a investigação precisa ir além da torção simples.

Posso continuar caminhando mesmo com o tornozelo inchado?

Depende da intensidade da dor e da estabilidade do pé. Se você consegue apoiar com desconforto leve e a dor melhora ao reduzir a carga, o movimento controlado pode fazer parte da recuperação. Mas, se mancar muito, sentir falseio, dor forte ao pisar ou aumento rápido do inchaço, insistir na caminhada tende a piorar a lesão e atrasar a melhora.

Quando o inchaço pode ter relação com circulação?

Essa suspeita cresce quando o inchaço surge sem trauma, piora no fim do dia, aparece após muito tempo sentado ou em pé, ou vem acompanhado de sensação de peso nas pernas. Já o inchaço de um lado só, com calor, vermelhidão e dor, exige atenção maior porque pode ter relação com trombose. Nessa situação, a avaliação deve ser rápida.

Gelo resolve sozinho?

O gelo ajuda bastante no controle de dor e edema, principalmente nas primeiras 48 horas. Só que ele não corrige instabilidade, não trata fratura, não fortalece tendão enfraquecido e não resolve causas inflamatórias ou vasculares. Em outras palavras, é uma ferramenta útil, mas não substitui diagnóstico. Se o quadro não melhora em poucos dias, o próximo passo é investigar a causa.

Quanto tempo demora para melhorar?

Lesões leves podem começar a aliviar em alguns dias, enquanto entorses moderadas e tendinopatias podem levar semanas ou até meses para recuperação completa. O tempo depende da estrutura envolvida, da gravidade e de como você conduz a reabilitação. Dor que melhora só um pouco, volta sempre ou muda o jeito de andar merece revisão do plano, porque provavelmente ainda faltou tratar a causa real.

Dr. Bruno Air

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de pé e tornozelo em Goiânia, CRM/GO, SBOT e RQE. Fellowship em Cirurgia do Pé e Tornozelo no Massachusetts General Hospital – Harvard University e no Weil Foot & Ankle Institute – Chicago. Mestre e doutor em Ciências da Saúde pela UFG.

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Dr. Bruno Air