Dores e Sintomas

Dor na Lateral do Pé: Causas e Como Tratar

Descubra o que pode ser dor na lateral do pé, como aliviar e quando buscar orientação de um especialista.

A dor na lateral do pé pode aparecer depois de uma torção, de excesso de treino ou do uso de calçados inadequados.

Em muitos casos, a origem está nos ligamentos, nos tendões da parte externa do tornozelo ou nos ossos do lado do pé.

Mesmo assim, nem toda dor lateral é simples.

Quando o incômodo vem com inchaço forte, roxo, dificuldade para pisar, formigamento ou deformidade, o ideal é consultar um ortopedista com especialização em pé e tornozelo para avaliação detalhada e plano de tratamento.

O especialista poderá descartar fratura, lesão mais importante ou compressão de nervo.

O que pode causar dor na lateral do pé?

A lateral do pé recebe carga toda vez que você caminha, corre, muda de direção ou pisa torto.

Por isso, a mesma queixa pode ter causas diferentes, e o contexto em que a dor começou ajuda muito a acertar o diagnóstico.

Entorse e lesão dos ligamentos

Essa é uma das causas mais comuns, principalmente quando a dor começou depois de torcer o tornozelo. Além da dor no lado de fora do pé, pode surgir inchaço, hematoma e dificuldade para apoiar o peso.

Em entorses leves, o desconforto melhora com repouso relativo e medidas simples. Já quando a dor é forte, a pessoa não consegue pisar ou o pé fica muito instável, é importante investigar melhor.

Tendinite peroneal

Os tendões peroneais passam pela parte externa do tornozelo e ajudam a estabilizar o pé.

Quando sofrem sobrecarga por corrida, salto, mudança brusca de treino ou instabilidade no tornozelo, podem inflamar e causar dor na lateral do pé.

Geralmente a dor piora com atividade física, subidas, descidas e movimentos repetidos. Também pode haver sensação de fraqueza, calor local e sensibilidade ao toque.

Fratura por estresse ou fratura do quinto metatarso

Quando a dor aparece aos poucos e piora cada vez que você pisa, uma fratura por estresse entra na lista de suspeitas, que é mais comum após aumento rápido de treino, corrida frequente, dança, esportes de impacto ou excesso de carga sem recuperação adequada.

Se a dor surgiu após trauma, torção forte ou queda, pode haver uma fratura do quinto metatarso, osso que fica na borda externa do pé.

Nesses casos, o inchaço é mais evidente e o apoio pode ficar bem limitado.

Síndrome cuboide e joanete do quinto dedo

A síndrome cuboide acontece quando uma pequena articulação da parte externa do pé sofre irritação, geralmente após entorse ou esforço repetitivo.

A dor é mais localizada no meio da lateral do pé e pode incomodar ao caminhar ou ficar na ponta dos pés.

Já o joanete do quinto dedo, também chamado de bunionette, causa dor perto do dedinho, com sensação de pressão no calçado, vermelhidão e até calosidade.

É uma causa que costuma passar despercebida quando o foco fica só no tornozelo.

Artrite, bursite ou irritação de nervo

Nem toda dor lateral do pé vem de lesão esportiva.

Em algumas pessoas, a origem está em inflamação articular, bursite ou irritação nervosa, principalmente quando há rigidez ao acordar, queimação, dormência ou formigamento.

Essas pistas merecem atenção porque mudam o caminho do tratamento. Dor em choque, queimação ou perda de sensibilidade, por exemplo, aponta menos para músculo e mais para nervo.

Como é o diagnóstico?

Alguns sinais ajudam a entender melhor o quadro antes da consulta. Eles não fecham o diagnóstico sozinhos, mas deixam a avaliação mais objetiva.

Na consulta, o ortopedista avalia o ponto exato da dor, a forma de pisar, a estabilidade do tornozelo e a presença de deformidades.

Dependendo do caso, pode pedir raio X e, quando necessário, ultrassom ou ressonância para enxergar tendões, ligamentos e fraturas que nem sempre aparecem logo no início.

O que fazer para aliviar a dor?

Se a dor for leve e não houver deformidade nem incapacidade de pisar, algumas medidas ajudam bastante nos primeiros dias. A ideia é controlar a inflamação e evitar que a lesão piore.

  • Faça repouso relativo e pare temporariamente a atividade que dispara a dor.
  • Use gelo por 15 a 20 minutos, sempre com pano entre o gelo e a pele.
  • Mantenha o pé elevado quando possível para ajudar a reduzir o inchaço.
  • Prefira calçados firmes, confortáveis e com bom suporte lateral.
  • Evite caminhar longas distâncias, correr ou testar o pé toda hora.

Se houver muita dor, o uso de remédios deve ser orientado por um profissional, especialmente em quem tem gastrite, doença renal, alergias ou usa outros medicamentos.

Forçar o retorno ao treino cedo demais é um dos erros que mais prolongam a recuperação.

Quando procurar um ortopedista com mais urgência?

Dor no lado do pé nem sempre é emergência, no entanto, alguns sinais pedem avaliação rápida. Nesses casos, insistir em andar normalmente pode agravar a lesão.

  • Incapacidade de apoiar o pé ou de dar alguns passos.
  • Inchaço importante, roxo intenso ou deformidade visível.
  • Dor forte após torção, queda ou impacto.
  • Dormência, formigamento persistente ou sensação de pé falhando.
  • Vermelhidão progressiva, calor local intenso ou febre.
  • Ferida, corte profundo ou dor em quem já tem diabetes ou neuropatia.

Também vale antecipar a consulta se a dor não melhora em poucos dias, volta sempre que você treina ou já dura mais de uma a duas semanas.

Lesões do meio do pé e fraturas por estresse podem parecer leves no começo, mas pioram quando são ignoradas.

Como é o tratamento?

O tratamento depende da causa. Em muitos casos, começa com medidas conservadoras, como redução de carga, gelo, ajuste do calçado, imobilização temporária e fisioterapia.

Quando existe instabilidade, a tornozeleira ou a bota podem proteger a região por um período.

Na tendinite peroneal, a reabilitação foca em controle da dor, fortalecimento e melhora do equilíbrio; nas fraturas, a prioridade é permitir a consolidação do osso antes do retorno ao impacto.

Alguns quadros exigem correção da pisada, palmilhas ou revisão do treino.

Casos específicos, como fraturas deslocadas, dor persistente por deformidade óssea ou lesões que não melhoram com tratamento conservador, podem precisar de abordagem cirúrgica.

Como prevenir novas crises?

Prevenir a dor na lateral do pé é mais simples do que tratar uma lesão já instalada.

Pequenos ajustes no dia a dia fazem diferença, principalmente para quem corre, joga bola, dança ou passa muito tempo em pé.

  1. Aumente treino e volume de atividade aos poucos.
  2. Troque tênis muito gastos e evite calçados apertados na frente.
  3. Fortaleça panturrilha, tornozelo e musculatura do pé.
  4. Faça exercícios de equilíbrio e mobilidade com regularidade.
  5. Respeite dor persistente e inclua dias de recuperação na rotina.

Se você já torceu o tornozelo mais de uma vez, vale investigar instabilidade crônica. Quando essa base não é corrigida, a sobrecarga lateral volta e a dor reaparece com facilidade.

Perguntas frequentes

Dor na lateral do pé sempre é algo grave?

Não. Muitas vezes, a causa é uma sobrecarga muscular, uma entorse leve ou irritação dos tendões após esforço. O problema é que fraturas e lesões do meio do pé também podem começar de forma parecida, então a intensidade da dor, a dificuldade para pisar e o tempo de evolução fazem diferença.

Posso continuar treinando com dor na lateral do pé?

Se a dor altera a passada, piora durante o exercício ou volta sempre depois do treino, o melhor é parar e avaliar. Continuar insistindo pode transformar uma tendinite inicial em lesão mais longa ou até piorar uma fratura por estresse que ainda parecia pequena.

Dor perto do dedinho pode ser joanete?

Pode, especialmente quando existe uma saliência na lateral do pé, atrito com o sapato e sensibilidade local. Nesse ponto, o joanete do quinto dedo é uma causa comum, mas fratura, bursite e irritação do quinto metatarso também entram no diagnóstico.

Quanto tempo dá para observar em casa?

Se a dor for leve, sem trauma importante e com melhora clara em poucos dias, dá para observar com repouso relativo e gelo. Se não houver melhora, se a dor aumentar ou se você não conseguir apoiar o pé normalmente, a avaliação médica deve ser antecipada.

Dr. Bruno Air

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de pé e tornozelo em Goiânia, CRM/GO, SBOT e RQE. Fellowship em Cirurgia do Pé e Tornozelo no Massachusetts General Hospital – Harvard University e no Weil Foot & Ankle Institute – Chicago. Mestre e doutor em Ciências da Saúde pela UFG.

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Dr. Bruno Air