Joanete

Joanete do Quinto Dedo: Como Tratar

Veja os sintomas, causas, fatores de risco e tratamentos eficazes para joanete do quinto dedo.

O joanete do quinto dedo é uma saliência óssea que aparece na base do dedo mínimo. Ele costuma causar atrito com o calçado, dor na parte externa do pé e dificuldade para usar sapatos mais fechados.

Apesar de ser menos conhecido do que o joanete do dedão, esse problema também pode piorar com o tempo.

A boa notícia é que existem formas de aliviar os sintomas e, quando necessário, corrigir a deformidade com cirurgia.

O que é o joanete do quinto dedo

Esse tipo de joanete surge na articulação entre o dedo mínimo e o quinto metatarso. Com o passar do tempo, o osso pode ficar mais projetado para fora, enquanto o dedo tende a desviar para dentro.

O resultado é uma proeminência na lateral do pé, justamente na região que mais sofre pressão do calçado.

Em alguns casos, o incômodo é leve, enquanto em outros, a dor atrapalha a caminhada e a rotina.

Qual a diferença para o joanete tradicional

O joanete mais conhecido aparece no dedão, na parte interna do pé. Já o joanete do quinto dedo, também chamado de joanete de alfaiate, aparece na borda externa, perto do dedo mindinho.

Os dois são deformidades do antepé, mas não são a mesma condição. O local afetado, o tipo de desvio e o planejamento do tratamento podem ser diferentes.

Principais causas e fatores de risco

Na maioria das vezes, o problema não surge por um único motivo. Ele acontece pela combinação entre formato do pé, pressão repetida e hábitos que aumentam o atrito na região.

Os fatores mais comuns são:

  • Herança familiar e alterações da mecânica do pé;
  • Uso frequente de sapatos apertados, estreitos ou de bico fino;
  • Pressão constante sobre a lateral do pé;
  • Algumas doenças inflamatórias, como artrite reumatoide;
  • Histórico de trauma ou sobrecarga no antepé.

O calçado inadequado pode não ser a causa única, mas pode piorar bastante os sintomas. Quando o sapato aperta a frente do pé, a área inflamada sofre mais atrito e tende a doer mais.

Sintomas

Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Há casos em que a deformidade é visível, mas quase não dói. Em outros, o desconforto aparece logo nas atividades do dia a dia.

Os sinais mais comuns são:

  • Caroço doloroso na lateral do pé;
  • Vermelhidão e inchaço local;
  • Sensação de pressão dentro do sapato;
  • Calo ou pele endurecida sobre a saliência;
  • Dor ao caminhar ou ficar muito tempo em pé;
  • Desvio do dedo mínimo para dentro.

Quando o quadro evolui, pode haver irritação da bursa, rigidez e dor mais constante. Por isso, o ideal é buscar atendimento com ortopedista de pé e tornozelo para examinar seu caso.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico. O médico avalia o local da dor, o formato do antepé, o grau do desvio e o tipo de calçado que piora os sintomas.

Na maior parte dos casos, o raio X ajuda a confirmar a deformidade e medir o alinhamento do quinto metatarso. além de orientar a escolha do tratamento, principalmente quando existe indicação cirúrgica.

Como tratar

O tratamento depende do tamanho da deformidade, da intensidade da dor e do impacto na rotina. Nem todo caso precisa de cirurgia, mas todo caso com sintomas persistentes merece avaliação adequada.

O objetivo inicial é reduzir a pressão sobre a região e controlar a inflamação. Quando isso não funciona, a cirurgia pode entrar em cena.

Tratamento conservador

Nos casos leves ou moderados, o tratamento começa por medidas simples. Elas não corrigem o osso já desviado, porém, podem aliviar bem a dor e diminuir o atrito.

As opções mais usadas são:

  • Trocar para calçados com frente larga e espaço maior para os dedos;
  • Usar almofadas protetoras sobre a saliência;
  • Considerar palmilhas ou órteses quando houver alteração mecânica do pé;
  • Aplicar gelo por poucos minutos, sempre com proteção na pele;
  • Usar analgésicos ou anti-inflamatórios apenas com orientação médica;
  • Em alguns casos, fazer infiltração para controlar inflamação ao redor da articulação.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia é considerada quando a dor continua mesmo após o tratamento conservador.

Ela também pode ser indicada quando a deformidade dificulta caminhar, usar calçados comuns ou manter a rotina sem limitação.

A decisão não deve ser tomada apenas pelo tamanho do caroço. O mais importante é o conjunto, sintomas, exame físico, raio X e impacto real na sua qualidade de vida.

Como é a cirurgia

O tipo de cirurgia varia conforme o formato do pé e o grau do desvio. Em geral, o procedimento busca remover a proeminência dolorosa e realinhar o quinto metatarso quando isso é necessário.

Existem técnicas abertas e técnicas minimamente invasivas.

Em casos selecionados, a cirurgia percutânea pode ser uma opção, mas a melhor técnica depende da anatomia do paciente e do planejamento feito no exame.

Recuperação após a cirurgia

A recuperação não é igual para todo mundo. Ela muda conforme a técnica usada, o grau da deformidade e a resposta do organismo no pós-operatório.

Em muitos casos, o paciente usa um calçado cirúrgico ou proteção específica nas primeiras semanas.

Os pontos geralmente são retirados por volta de duas semanas, e a consolidação óssea geralmente leva de seis a doze semanas, e o inchaço melhora aos poucos, mas pode durar vários meses.

Por isso, seguir as orientações do cirurgião, manter o pé elevado quando indicado e respeitar o retorno progressivo às atividades faz diferença no resultado.

Dá para prevenir ou evitar piora?

Nem sempre é possível impedir totalmente o surgimento do joanete do quinto dedo, principalmente quando existe predisposição do formato do pé.

Ainda assim, alguns cuidados ajudam a reduzir o atrito e retardar a progressão.

As medidas mais úteis são:

  1. Preferir sapatos com biqueira larga e boa profundidade.
  2. Evitar salto alto e calçados que comprimem os dedos.
  3. Tratar calos, inflamação e dor logo no começo.
  4. Corrigir alterações biomecânicas quando houver indicação.
  5. Não insistir em calçados que machucam a lateral do pé.

Perguntas frequentes

O joanete do quinto dedo some sozinho?

Não costuma sumir sozinho. Em muitos casos, a deformidade pode até permanecer estável por algum tempo, mas a tendência é piorar se houver atrito contínuo e falta de adaptação no calçado. O que pode melhorar bastante é a dor, desde que a pressão local seja reduzida e o tratamento certo seja iniciado.

Palmilha corrige a deformidade?

Palmilha não costuma corrigir o osso desalinhado. Ela pode ajudar a distribuir melhor a carga no pé, reduzir sobrecarga e melhorar o conforto, principalmente quando existe alteração mecânica associada. Ou seja, é um recurso útil para aliviar sintomas, mas não deve ser vista como correção definitiva do joanete.

Todo joanete de alfaiate precisa de cirurgia?

Não. Muitos pacientes conseguem conviver bem com a condição usando calçados mais adequados, proteção local e tratamento para dor e inflamação. A cirurgia entra como opção quando os sintomas persistem, limitam a rotina ou quando a deformidade é importante e o tratamento conservador já não resolve.

Posso continuar treinando com esse problema?

Depende do nível da dor e do tipo de atividade. Exercícios de baixo impacto podem ser mantidos em alguns casos, desde que o calçado não aperte a lateral do pé e não haja piora dos sintomas. Se correr, saltar ou treinar em pé aumenta a dor, o ideal é pausar e fazer uma avaliação especializada.

Dr. Bruno Air

Especialista em cirurgia minimamente invasiva de pé e tornozelo em Goiânia, CRM/GO, SBOT e RQE. Fellowship em Cirurgia do Pé e Tornozelo no Massachusetts General Hospital – Harvard University e no Weil Foot & Ankle Institute – Chicago. Mestre e doutor em Ciências da Saúde pela UFG.

Artigos relacionados

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Dr. Bruno Air